Bancos Sustentáveis: Como o ESG Reduz o Custo de Captação e Aumenta a Competitividade
Descubra como práticas ESG reduzem o custo de funding bancário, fortalecem margens e impulsionam finanças sustentáveis com autoridade.
No cenário atual da economia global, em que a sustentabilidade financeira se tornou uma exigência do mercado, o papel dos bancos vai muito além da intermediação de crédito. Instituições financeiras estão sendo avaliadas não somente por seu desempenho contábil, mas também por seu engajamento ambiental e social. Essa nova lente, conhecida como ESG (Environmental, Social and Governance), está alterando drasticamente os custos operacionais, especialmente o custo de captação de recursos, ou funding.
Mas afinal, como os princípios ESG impactam o custo de capital bancário? E por que bancos sustentáveis estão conseguindo captar recursos mais baratos e com menor risco? Este artigo explica as causas, os efeitos e as implicações estratégicas dessa mudança.

O que é custo de funding e sua relevância estratégica
O custo de funding é a taxa média que um banco paga para obter capital junto a diferentes fontes: depósitos de clientes, emissão de títulos no mercado, empréstimos interbancários ou linhas de crédito internacionais. Quanto menor for o custo de funding, maior a margem para emprestar com lucro, realizar investimentos e competir com outras instituições.
No passado, o custo era determinado principalmente por fatores macroeconômicos e indicadores financeiros. Porém, nas últimas décadas, uma nova variável começou a ganhar peso: a reputação socioambiental do banco. Investidores institucionais e reguladores passaram a valorizar práticas ESG como um indicativo de menor risco de longo prazo, o que reduz a exigência de retorno sobre o capital alocado.
Como o ESG reduz o custo de captação bancário
Bancos com maior engajamento ESG oferecem, em média, menor risco reputacional, regulatório e operacional. Isso se traduz em menor percepção de risco por parte de credores e investidores, permitindo que essas instituições captem recursos com menores taxas.
Segundo estudo publicado na Journal of International Financial Markets, Institutions & Money, que analisou quase 500 bancos entre 2003 e 2020, as instituições com forte engajamento ambiental pagam taxas de captação significativamente mais baixas, especialmente em:
- Mercados desenvolvidos, onde a pressão dos stakeholders por responsabilidade socioambiental é mais intensa.
- Ambientes bancários competitivos, com menor concentração de mercado, onde o diferencial ESG se torna um atrativo competitivo.
- Instituições com baixa base de depósitos, mais dependentes de mercado de capitais e sensíveis a percepções de risco.
Além disso, diversos outros estudos independentes, como relatórios da BIS (Bank for International Settlements) e análises do S&P Global ESG, confirmam que emissores de títulos com ratings ESG elevados enfrentam spreads mais baixos e maior demanda por seus papéis.
ESG como ferramenta estratégica em mercados emergentes
Embora os efeitos do ESG sobre o custo de funding sejam mais acentuados em mercados avançados, países emergentes como o Brasil têm mostrado evolução significativa. Reguladores como o Banco Central do Brasil vêm implementando políticas de finanças sustentáveis, como o SCRS (Sistema de Classificação de Risco Socioambiental) e a Agenda BC#, que obrigam os bancos a internalizar riscos climáticos e sociais em suas operações.
Isso abre espaço para que bancos brasileiros se posicionem como líderes regionais em práticas ESG, aumentando sua atratividade no mercado internacional de capitais, onde investidores demandam ativos alinhados ao financiamento sustentável.
Casos práticos: bancos e securitizações com viés sustentável
Exemplos como o do Santander, que emitiu securitizações rotuladas como sustentáveis (SRT ESG) com desconto de spread em relação a títulos tradicionais, mostram que há prêmio financeiro para práticas alinhadas ao meio ambiente. O mesmo vale para o Société Générale e outras instituições europeias que passaram a vincular emissões de dívida a metas ambientais específicas.
Esses casos reforçam que a sustentabilidade pode e deve ser usada como uma vantagem competitiva legítima e mensurável no sistema financeiro.
Oportunidades para bancos de menor porte e fintechs sustentáveis
Outro ponto relevante é o papel das fintechs com propósito ESG. Empresas de menor porte que integram sustentabilidade em seus modelos de negócio têm mais facilidade para captar recursos junto a fundos de impacto, investidores institucionais e plataformas de financiamento coletivo.
Além disso, bancos médios com base de depósitos limitada podem utilizar sua estratégia ESG como forma de se destacar e negociar melhores condições no mercado de capitais.
8. Considerações finais: rentabilidade e propósito podem caminhar juntos
Ao longo desta análise, fica evidente que práticas ESG bem estruturadas não são um custo adicional ou uma obrigação regulatória, mas sim um investimento estratégico que resulta em:
- redução direta do custo de captação;
- aumento da margem operacional;
- melhoria do reconhecimento institucional;
- e fortalecimento da resiliência organizacional.
Além disso, consumidores e investidores estão cada vez mais atentos à integridade ambiental das empresas que apoiam. Nesse contexto, bancos que lideram a agenda sustentável não apenas se diferenciam, mas também constroem um legado de impacto positivo.



