Mars Climate Solutions Fund: Como Grandes Empresas Estão Financiando o Futuro Sustentável

Mars lança fundo climático de US$250 milhões para financiar inovação sustentável, fortalecer ESG e liderar a transição para economia regenerativa.

No contexto de mudanças climáticas aceleradas, o setor corporativo desempenha um papel decisivo na transição para uma economia de baixo carbono. A Mars, multinacional do setor de alimentos e produtos de consumo, lançou um ambicioso fundo climático de US$ 250 milhões. Trata-se de uma iniciativa voltada para soluções inovadoras e escaláveis que contribuem para emissões líquidas zero (Net Zero), alinhando impacto ambiental, retorno financeiro e reputação corporativa. Esta abordagem representa um exemplo valioso para empresas que desejam unir finanças sustentáveis, inovação e responsabilidade social.

O que é o Mars Climate Solutions Fund?

O Mars Climate Solutions Fund é um fundo corporativo com o objetivo de financiar tecnologias e projetos climáticos que auxiliem na descarbonização da cadeia produtiva da Mars. O fundo busca apoiar soluções de alto impacto nas seguintes áreas:

  • Agricultura regenerativa e tecnologias para o solo: práticas agrícolas que aumentam a biodiversidade, sequestram carbono e promovem produtividade sustentável.
  • Ingredientes de baixo impacto climático: alternativas às fontes tradicionais com menor pegada de carbono, como proteínas vegetais e aditivos de fermentação biológica.
  • Embalagens sustentáveis e circulares: embalagens biodegradáveis, recicláveis ou reutilizáveis que eliminem resíduos plásticos de uso único.

O fundo pretende acelerar o alcance das metas Net Zero da Mars até 2050, antecipando investimentos em pesquisa, prototipagem e implementação de soluções que possam ser escaladas globalmente.

O papel estratégico das soluções climáticas corporativas

Iniciativas como essa revelam uma mudança estratégica nas grandes corporações: de simples compensação de carbono para um compromisso ativo com a mitigação de emissões nas próprias operações. Isso amplia a legitimidade da atuação ESG e oferece ROI ambiental e financeiro com base em métricas concretas.

Além disso, ao investir diretamente em soluções climáticas, as empresas reduzem riscos regulatórios, fortalecem sua cadeia de fornecimento e geram valor reputacional, aspectos cada vez mais valorizados por investidores, consumidores e parceiros estratégicos.

Resultados ambientais e financeiros: o caso Mars

A Mars já obteve resultados notáveis em sua jornada ESG. Desde 2015, reduziu suas emissões absolutas em 16,4%, mesmo tendo ampliado significativamente sua produção e receita. Em 2024, conseguiu uma redução adicional de 1,9% nas emissões totais.

Mais de 2.000 executivos da empresa têm parte de sua remuneração atrelada ao desempenho ambiental, reforçando o alinhamento estratégico entre liderança e sustentabilidade. Isso é um claro exemplo de como a governança ESG pode ser aplicada na prática, aumentando a transparência e o comprometimento com resultados.

Conceitos técnicos aplicados ao fundo climático

Para compreender a relevância dessa iniciativa, é importante aprofundar alguns termos técnicos:

  • Net Zero: Estado no qual a quantidade de gases de efeito estufa emitida é igual à quantidade removida da atmosfera. Isso exige ações internas (eficiência energética, mudanças de insumo, captura de carbono) e externas (créditos de carbono verificados).
  • Agropecuária regenerativa: Uso de práticas agrícolas como cobertura vegetal, compostagem, pastoreio rotacionado e policultura para regenerar o solo, capturar carbono e aumentar a produtividade.
  • Captura de carbono: Tecnologias que removem CO₂ da atmosfera ou evitam que ele seja emitido, como biochar, DAC (captura direta do ar) e sequestro em solos agrícolas.
  • Embalagem circular: Embalagens desenhadas para serem reutilizadas, recicladas ou compostadas, evitando o descarte em aterros ou oceanos.

Finanças sustentáveis e impacto de longo prazo

Fundos como o da Mars não apenas demonstram responsabilidade ambiental, mas também representam um novo paradigma de investimento. A ideia de que investimentos podem (e devem) restaurar os ecossistemas enquanto geram valor econômico.

Empresas com metas ambientais claras, métricas auditáveis e estratégias robustas de mitigação se tornam mais atrativas para:

  • Investidores institucionais focados em green bonds e títulos de sustentabilidade;
  • Startups e universidades em busca de capital para inovação climática;
  • Consumidores preocupados com a origem dos produtos e suas externalidades ambientais.

Tendências e dados de mercado

O mercado de embalagens sustentáveis deve crescer 7,7% ao ano e atingir US$ 423 bilhões até 2029. Já o mercado de agricultura regenerativa movimenta bilhões globalmente, com apoio crescente de fundos soberanos, bancos multilaterais e investidores de impacto.

O volume global de créditos de carbono voluntários pode ultrapassar US$ 50 bilhões até 2030, sendo a agricultura e o uso da terra (AFOLU) os principais setores geradores desses créditos.

Comparativos e diferenciais estratégicos

O fundo da Mars pode ser comparado a iniciativas similares de empresas como Nestlé, Unilever e Danone. No entanto, seu diferencial está na integração profunda com a cadeia produtiva, especialmente com foco em ingredientes agrícolas e embalagens, áreas críticas para o setor alimentício.

Outro diferencial é o modelo de parceria com startups. A Mars já colabora com agtechs e biotechs que desenvolvem soluções como proteínas alternativas, sensores agrícolas e biomateriais para embalagens. Isso potencializa inovação, acelera o desenvolvimento tecnológico e aproxima o fundo das soluções mais disruptivas.

Oportunidades no Brasil e perspectivas futuras

O modelo da Mars pode inspirar empresas brasileiras de médio e grande porte. A sinergia entre investimentos corporativos e startups ambientais no Brasil ainda está em construção, mas o país possui imenso potencial em áreas como:

  • Bioeconomia da Amazônia;
  • Agricultura regenerativa tropical;
  • Créditos de carbono florestal e agropecuário;
  • Bioplásticos e embalagens biodegradáveis.

Onde buscar dados confiáveis

Para quem deseja se aprofundar ou validar as informações do fundo e seus impactos, recomendamos consultar:

  • IPCC e Global Carbon Project: Para métricas e cenários climáticos;
  • Relatórios TCFD: Para entender riscos climáticos corporativos;
  • Base de dados PitchBook: Para analisar investimentos em tecnologia verde;
  • Relatórios “Sustainable in a Generation” da Mars: Para KPIs e planos ESG da empresa.

Conclusão: Uma Nova Lógica de Valor

O Mars Climate Solutions Fund demonstra que lucro e propósito não são caminhos divergentes. Empresas que assumem uma posição ativa na mitigação climática estão moldando o futuro dos negócios e das finanças sustentáveis. Ao transformar desafios ambientais em alavancas de inovação e vantagem competitiva, a Mars posiciona-se como líder na transição para uma economia regenerativa e resiliente.

Esse é o tipo de estratégia que transcende tendências e consolida reputações. Para investidores, líderes corporativos e empreendedores verdes, entender e aplicar essa lógica é mais que uma vantagem, é uma necessidade.

Douglas Andreo

Douglas Andreo

Douglas Manoel Oliveira Andreo é pesquisador e especialista em Bioenergia, mestrando em Engenharia de Bioprocessos e Bioprodutos pela Unesp e graduando em Tecnologia em Biocombustíveis pela Fatec. Sua expertise técnica une rigor acadêmico, com ênfase em pesquisa científica sobre Biogás, à vivência corporativa industrial adquirida na Bunge. Alumni do Aspire Leaders Program e participante ativo de congressos da UDOP, Douglas integra conhecimento em economia circular com responsabilidade social, atuando também como voluntário na ONG OCAS.

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