Descarbonização e Economia Circular: O Futuro dos Aerossóis

Inovação no tratamento de aerossóis e latas de gás impulsiona bioeconomia e sustentabilidade empresarial, transformando resíduos complexos em valor econômico.

A transição para uma economia de baixo carbono e a promoção da economia circular são imperativos globais. Nesse cenário, a gestão inovadora de resíduos, especialmente de produtos complexos como aerossóis e latas de gás, emerge como um pilar fundamental para a sustentabilidade empresarial. Uma recente licença ambiental concedida à Synergy Asset Services Limited no Reino Unido ilustra um avanço significativo nesse campo, destacando o potencial de soluções tecnológicas para transformar passivos ambientais em ativos valiosos.

A licença, emitida pela Environment Agency em 19 de dezembro de 2025, autoriza a instalação de Merton Farm, em Canterbury, a expandir suas operações para incluir o tratamento e armazenamento de recipientes de gás perigosos, além de aumentar a capacidade para aerossóis e latas não perigosas [1]. O cerne dessa inovação reside em um sistema de tratamento sob medida, projetado para capturar integralmente todos os gases e conteúdos residuais. Essa tecnologia de ponta garante que não haja emissões fugitivas para a atmosfera, um avanço crucial na mitigação de impactos ambientais e na promoção da bioeconomia.

O impacto é substancial, considerando que o Reino Unido comercializa aproximadamente 600 milhões de unidades de aerossóis anualmente, com cerca de 500 milhões consumidas em residências [2]. Historicamente, a reciclagem desses itens tem sido um desafio devido à complexidade de seus componentes e ao risco de gases residuais. No entanto, iniciativas como a UK Aerosol Recycling Initiative (ARI ), liderada pela Alupro, impulsionam a taxa de reciclagem. Em 2024, o país reciclou 157.049 toneladas de embalagens de alumínio, incluindo aerossóis, marcando o segundo maior volume já registrado [3].

A abordagem da Synergy Asset Services Limited não apenas aborda a questão dos resíduos perigosos, mas também se alinha com as tendências globais de gestão de resíduos. O mercado global de resíduos perigosos, projetado para atingir US$ 52,94 bilhões em 2025 e crescer para US$ 72,66 bilhões até 2030, reflete a crescente demanda por soluções eficazes [4]. A recuperação de metais ferrosos e não ferrosos do processo de tratamento de aerossóis exemplifica a criação de valor a partir de resíduos, um princípio central da economia circular.

Além dos aerossóis, a licença também contempla o armazenamento de pneus em fim de vida, com um limite de 25 toneladas por vez e um rendimento anual de 200 toneladas. Embora o foco principal seja o tratamento de aerossóis, a inclusão de outros fluxos de resíduos demonstra uma visão holística para a gestão de materiais. Este tipo de iniciativa é vital para o avanço da inovação e para o cumprimento de metas de ESG (Environmental, Social, and Governance) ao nível corporativo e nacional.

Para empresas e formuladores de políticas, o caso da Synergy Asset Services Limited sublinha a importância de investir em tecnologias que permitam a recuperação de recursos de fluxos de resíduos complexos. A colaboração entre reguladores, como a Environment Agency, e a indústria é crucial para criar um ambiente que fomente a inovação e a adoção de práticas circulares. A expansão da infraestrutura de reciclagem e o desenvolvimento de sistemas de coleta eficientes são passos essenciais para que mais materiais, como os aerossóis, sejam reintegrados à cadeia produtiva, minimizando o impacto ambiental e gerando valor econômico.

Referências

  1. GOV.UK. CT4 7BA, Synergy Asset Services Limited: environmental permit issued – EPR/FB3602HU/V002.
  2. Sora Machine. UK Aerosol Recycling Initiative Reveals Higher-than Expected Recycling Rates.
  3. Alupro. Impact Brief Report 2024.
  4. Mordor Intelligence. Hazardous Waste Management Market Growth Report 2030.

Douglas Andreo

Douglas Andreo

Douglas Manoel Oliveira Andreo é pesquisador e especialista em Bioenergia, mestrando em Engenharia de Bioprocessos e Bioprodutos pela Unesp e graduando em Tecnologia em Biocombustíveis pela Fatec. Sua expertise técnica une rigor acadêmico, com ênfase em pesquisa científica sobre Biogás, à vivência corporativa industrial adquirida na Bunge. Alumni do Aspire Leaders Program e participante ativo de congressos da UDOP, Douglas integra conhecimento em economia circular com responsabilidade social, atuando também como voluntário na ONG OCAS.

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