O ICO2 e o Futuro da Sustentabilidade Financeira no Brasil

O ICO2 promove finanças sustentáveis ao integrar eficiência de carbono e transparência ambiental ao mercado de capitais brasileiro.

O mercado financeiro vem passando por uma profunda transformação, alinhando-se às demandas ambientais, sociais e de governança (ESG). Um dos principais símbolos dessa evolução no Brasil é o ICO2 Índice Carbono Eficiente. Criado em 2010 pela parceria entre a B3 (então BM&FBOVESPA) e o BNDES. Este índice visa inserir a questão climática na estratégia empresarial e nos investimentos.

O que é o ICO2 e por que foi criado?

O ICO2 nasceu com um propósito claro: fomentar a transparência e a eficiência na gestão de emissões de gases de efeito estufa (GEE) entre as maiores empresas brasileiras. A lógica é simples e poderosa: empresas que medem, divulgam e trabalham ativamente para reduzir suas emissões passam a integrar um índice exclusivo e valorizado no mercado financeiro.

Critérios de Inclusão

Somente companhias do universo IBrX 50 eram originalmente elegíveis para o ICO2. A partir de janeiro de 2025, o universo foi ampliado para incluir empresas listadas no Índice Brasil Amplo (IBrA). Contudo, não basta estar presente no IBrA: é necessário:

  • Assinar um compromisso formal de divulgação anual das emissões;
  • Demonstrar eficiência em carbono, isto é, emitir menos GEE por unidade de atividade econômica;
  • Ter suas ações com boa liquidez, medida pelo free float ajustado.

Metodologia do ICO2: Nova Era a Partir de 2025

A revisão metodológica de 2025 representou um salto qualitativo na estrutura do ICO2. Além da inclusão de empresas do IBrA, passou-se a utilizar um Score de Gestão de Emissões, que avalia a qualidade e a evolução das práticas de emissão de cada empresa.

Esse score considera aspectos como:

  • Existência de inventários verificados por terceiros;
  • Evolução histórica das emissões;
  • Metas de descarbonização;
  • Governança climática.

As carteiras do ICO2 são rebalanceadas anualmente, garantindo atualização e integridade ao índice.

Desempenho do ICO2 em 2025

O ICO2 tem demonstrado que sustentabilidade e rentabilidade não são incompatíveis. Em 27 de junho de 2025, o índice fechou em 2.766 pontos, com alta acumulada de 27,8% no ano e 22,86% nos últimos 12 meses.

Esse desempenho supera muitos benchmarks tradicionais e mostra que empresas com boas práticas ambientais estão cada vez mais valorizadas pelos investidores.

Histórico de Investimentos: ETF ECOO11

Para o investidor comum, o principal instrumento de acesso ao ICO2 é o ETF ECOO11, lançado em 2012 e gerido pela BlackRock Brasil. O fundo replica o desempenho do índice, permitindo aplicação em empresas sustentáveis com praticidade e liquidez.

Nos primeiros anos, o ECOO11 surpreendeu ao superar tanto o Ibovespa quanto o ISE (Outro índice de sustentabilidade). Em 2016, por exemplo, o fundo rendeu 16,23% frente a um CDI de 14,13%.

Papel do ICO2 na Agenda ESG

O ICO2 exerce uma pressão positiva sobre o setor privado, incentivando a adoção de inventários de carbono e maior transparência em relação à pegada climática. Empresas que desejam integrar o índice são levadas a aprimorar sua governança ambiental.

Ademais, o índice alinha expectativas do mercado financeiro com os desafios ambientais, servindo como um benchmark de baixo carbono para analistas e gestores de recursos.

Conclusão

O ICO2 se consolida como um instrumento essencial para promover o desenvolvimento sustentável no Brasil. Ao integrar boas práticas ambientais com rentabilidade e liquidez, ele sinaliza que o futuro das finanças é verde, transparente e eficiente. Muito mais do que um simples índice, o ICO2 é uma ferramenta de transformação econômica e ambiental.

E, para os investidores atentos, pode ser também uma excelente oportunidade de retorno aliado à responsabilidade climática.

Douglas Andreo

Douglas Andreo

Douglas Manoel Oliveira Andreo é pesquisador e especialista em Bioenergia, mestrando em Engenharia de Bioprocessos e Bioprodutos pela Unesp e graduando em Tecnologia em Biocombustíveis pela Fatec. Sua expertise técnica une rigor acadêmico, com ênfase em pesquisa científica sobre Biogás, à vivência corporativa industrial adquirida na Bunge. Alumni do Aspire Leaders Program e participante ativo de congressos da UDOP, Douglas integra conhecimento em economia circular com responsabilidade social, atuando também como voluntário na ONG OCAS.

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